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Estrela Brilhante



O Centro de Iluminação Cristã Estrela Brilhante Raimundo Irineu Serra - CICEBRIS foi fundado oficialmente no dia 27 março de 2009, pelo maranhense Daniel Arcelino Serra. O Estrela Brilhante é um instituição religiosa dos princípios doutrinários do Santo Daime, fundado nos anos 30, no estado do Acre, pelo então maranhense Raimundo Irineu Serra – Mestre Irineu.

Trata-se de uma doutrina de cunho cristão, com vertentes no xamanismo, espiritismo kardecista e elementos da cultura afrodescendentes. Em seu ritual utiliza-se a bebida de origem inca, bastante difundida entre os povos indígenas da região amazônica, chamada de ayahuaska. Na doutrina, Mestre Irineu batizou a bebida de Daime. Produzida da cocção de duas plantas amazônicas, a Banisteriopsis caapi (o cipó) e a Psychotria viridis (a folha).

O CICEBRIS já realizava suas atividades bem antes da sua inauguração oficial, em março de 2009. Teve seus primeiros trabalhos feitos por um pequeno grupo de pessoas, entre eles Hugo Fonseca Neto, Mivan Gedeon, Daniel Serra e seu irmão José Diniz Serra, a partir de agosto de 2006. Esses trabalham aconteciam no Céu do Mestre, localizado na Praia do Araçagy, de propriedade de Celso Santos.

A partir de janeiro de 2007, era sempre uma surpresa o local da próxima sessão, pois ainda não havia um espaço próprio, dependendo sempre de um amigo conseguir um espaço para os trabalhos de 15 e 30 de cada mês. Os encontros passaram a acontecer em escolas públicas, sítios e até mesmo na cozinha da própria casa do seu Daniel Serra, no bairro da Pirâmide.

Em fevereiro de 2007, Daniel Serra foi apresentado ao pai de santo Cláudio Moreno. Claudio disponibilizou seu terreiro por um ano, também no bairro da Pirâmide, para que os trabalhos de seu Daniel fossem realizados até que encontrassem a sede oficial do Estrela Brilhante. E a sede viria no ano seguinte, em fevereiro de 2008, com a doação de 6 hectares de terra pelo Mestre Humberto Leite, da Fraternidade Colibri. O local então passou ser a sede definitiva da recente instituição que saia do anonimato para ser registrada como a primeira igreja do Santo Daime no Estado do Maranhão.

Na sede foi construído um salão, onde são realizadas as sessões mensais, datas comemorativas, festejos e festivais do calendário da Casa; Banheiros; Fornalha, local onde são realizados os rituais de preparação do Daime; Dormitórios; lojinha; Secretaria e uma cozinha. A sede também é o local onde repousa o corpo do fundador Daniel Serra, falecido em novembro de 2011. A Capelinha era o antigo espaço onde se realizava os trabalhos antes da construção da sede oficial.



Daniel Serra


Padrinho Daniel

Daniel Arcelino Serra nasceu em 1932 no povoado de Santa Teresa, no município de São Vicente Ferrer – interior do estado do Maranhão. Na infância, foi criado por sua tia-avô Joana Serra, mãe do Mestre Irineu.

Desde cedo Daniel Serra ouvia história sobre esse tio. Em suas lembranças, Joana Serra sempre esperou o filho, que havia partido e nunca mais voltado. Chegava a fazer até bolo a espera dele. “Ninguém podia comer! O bolo estragava, mas ninguém podia comer”, recordava Daniel.

Em 1957, já adolescente, passou a morar na cidade de Penalva, a 145 km de São Vicente. Neste mesmo ano, Irineu Serra havia retornado pela primeira vez, depois de 40 anos ao Maranhão. Visitou o tio Paulo Serra e manifestou seu interesse em levar com ele alguns sobrinhos para o Acre, onde residia e já era um líder espiritual. Apenas três sobrinhos se apresentaram. Um deles era Daniel Serra - filho de Raimunda Serra (Vô Cota), irmã de Irineu Serra.

Aos 17 anos de idade acompanhou seu tio na desbravada aventura de chegar de barco até o Acre, passando por Belém e outras cidades do Estado do Amazônas. Daniel não tinha ideia do que ia encontrar na cidade de lendas e encantos indígenas. Não tinha a dimensão do que seu tio representava para aquele povo que o aguardava ansioso e com receio de não vê-lo mais.

As mudanças foram enriquecedoras ao lado do Mestre. Adaptou-se ao Acre, casou-se com a acriana Otília Sousa, com quem teve uma filha, Maria Serra, e três netos: Gabriel Matheus, Gabriel Lucas e Giovanna Gabriele. E após 57 anos vivendo no estado do Acre, resolveu retornar ao Maranhão.

Sempre levou na sua bagagem o desejo de retornar um dia ao Maranhão. Em 2001, fez uma visita para apaziguar a saudade dos parentes. Ficou na casa do seu irmão, José Diniz Serra, em São Luís do Maranhão. Sua sobrinha, filha de Martimiriana Diniz Serra (sua irmã), lhe mostrou e leu uma matéria publicada no jornal O Imparcial (), que falava sobre a doutrina do maranhense Raimundo Irineu Serra.

A matéria dizia que o Maranhão era o único Estado brasileiro que não possuía uma representação da doutrina do Santo Daime. Após esse episódio, passou a sonhar constantemente com o Mestre Irineu, que lhe pedia para retornar.

Em 2004 voltou a São Luís para passar férias. Tinha informação da presença da presença de um pequeno grupo de pessoas que tomavam daime. Quis conhecer essas pessoas e para isso hospedou-se na casa de cada um delas. Primeiramente na casa do seu irmão, José Diniz, depois passou uns dias na casa do psicólogo Leandro e em seguida na casa do jornalista Mivan Gedeon, onde ficou até retornar ao Acre.

Em julho de 2006, Daniel Serra veio novamente sozinho a São Luís e preparou o terreno para a chegada de sua família (esposa, filha, genro e netos), comprando uma casa no Residencial Pirâmide, no município da Raposa. Depois de deixar tudo pronto, tinha que retornar novamente ao Acre para preparar a vinda de sua família ao Maranhão.

Mas antes de retornar ao Acre, formou um grupo que topou realizar os trabalhos com ele: seu irmão José Diniz Serra, Mivan Gedeon, Hugo Fonseca e Teresa Sá (que logo em seguida teve que mudar de cidade). Ao retornar definitivamente, em janeiro de 2007, começou a fazer seus trabalhos em escolas públicas, sítios e até na própria cozinha de sua casa. Em 2008 recebe de Humberto Leite a doação de 6 hectares de terra para construir a sede de uma representação religiosa da doutrina do seu tio no estado do Maranhão.